domingo, 8 de março de 2015

Gotas




As gotas da minha chuva
Secam na estrada quente.
Vejo os olhares tristes
De gente que sente.

Fico-me a ver
Nas ruas cruzadas
...... de sentimento......

Vejo palavras
Cansadas

......de sofrimento......

terça-feira, 3 de março de 2015

Felicidade

Things that make me happy: my Hubby, my Sister, my two lovely Godchildren, French Toast, Books, Bola de Berlin, Simples, não é?

Eu na 3ª pessoa do singular :)

Dou por mim a falar na 3ª pessoa! Quando é que isso acontece? Simples! quando sou a Madrinha. O modo "Madrinha" transforma-me em alguém para o André e a Beatriz. Nunca tinha percebido mas um dia ao falar com a minha princesa, dei por mim a dizer "A Madrinha já ajuda"e, subitamente pensei, mas a Madrinha sou eu, porque falo dela como se ela estivesse na sala ao lado. Talvez seja a necessidade de ser mais do que que esposa e filha e sobrinha e irmã e todas essas relações infinitas que a família nos alegremente providencia. O facto de não ser mãe talvez exige do meu coração que eu seja uma pessoa importante para alguém. Adoro ser a Madrinha daquelas pessoas maravilhosas, orgulhosa porque são seres lindos e carinhosos. 

O André é o meu príncipe que está prestes a ser pai, lembro-me da primeira vez que o vi, de cabelo escuro e espetado na caminha branca doce de algodão.

A Beatriz é o sorriso mais lindo do mundo, estou mesmo a falar a sério, repito, o sorriso mais maravilhoso do mundo e que me faz bem à alma e ao coração.

E é assim, há dias em que falo de mim na 3ª pessoa do singular porque me sinto verdadeiramente importante. 

A Madrinha adora-te!
A Madrinha ajuda!
A Madrinha já vai!
Já sabes que a Madrinha diz que sim :)
I’ve lost something yesterday!
E só hoje me apercebi!
Sinto que algo desapareceu
Como o sonho da manhã.
O respirar desvaneceu
É como a mesa que não pára de abanar.
Aquela perna,
Bamba, bamba, bamba.
Azul que me rodeia
Traz as recordações do futuro
Sinto o quê?

O processo de transformação daquilo que a ainda não vivi. 

Não quero saber de palavras


Não quero saber de palavras
Escritas…
Faladas…
Quero silêncio, …
Nem um murmúrio.
Não quero saber de coração,
Sentido,
Tocante ou não.
Quero alma,
Alma minha que se foi
Quero alma,
                para ainda buscar,
                para a deixar dançar.
Quero alma para ser
E outra para fazer.
Escrevo um verso num copo
Quero viver…
                Mas os sóis que se vão
                Não servem para nada.
                Quero lua, estrela sempre fria

                Lua que se torna quente em mim.

Sentir as palavras!


O que sou obrigada a sentir?
Pensamentos e ideias,
Pensamentos que se transformam em palavras.
As palavras sinto-as
Com as folhas que se perdem das árvores,
Vermelhos, laranjas, cores sem fim.
O que sou obrigada a sentir?
Folhas e livros,
Palavras que nascem na primeira estação.
Brilha o sol, flores e sementes,
São palavras, amigos

Que me obrigam a sentir!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Por vezes morrem pedacinhos de nós

Há dias em que morremos um bocadinho, dias em que uma palavra mata uma célula nossa, a frase dilacera, até o olhar, há dias em por vezes morrem pedacinhos de nós. Sabem aqueles momentos em que ouvimos aquelas palavras, aquela frase e depois de reflectir um  pouco percebemos que já somos menos nós? Lembrei de tudo isto ao ler uma história - A Lista dos Meus Desejos de Grégoire Delacourt... deixei de ler e essa dor de não conseguir ler tem sido difícil de ultrapassar. Andei pelas livrarias, pelas centenas de livros que possuo e ainda não li, pelas publicações e tentei reatar a minha relação de profunda felicidade que tenho com os livros. O momento da ruptura dolorosa da ausência das palavras de mim deu-se com esta A lista de desejos, podia ter sido outro livro qualquer mas foi este, estas palavras que me salvaram quando aconteceram outras que me mataram. Sabem aquelas palavras que ouvimos em momentos e depois de dormir, na manhã seguinte, ou algumas manhãs depois, por vezes muitas manhãs de depois... naquele instante em que percebemos que morreu um pedacinho de nós, um pedaço que não recuperamos porque ele foi arrancado. 

Há dias em que morrem pedacinhos de nós, um sorriso que não volta, um bater do coração, morre aquele sentimento que nutria a nossa alma, é assim, pedacinhos que voaram para longe de nós.